"Acreditoque Deus está no controle de todas as coisas e que tudo coopera para o bemdaqueles que o adoram em espírito e em verdade. Agradeço a Deus e a nossoSenhor Jesus Cristo pela alegria e paz que habitam em nós e que tem sido anossa força.
Estou tranquilo e confiante, mas ninguém tem ideia dasangústias e das tribulações que tenho enfrentado corajosamente e, às vezes, deforma solitária diante de uma prisão injusta, ilegal e sem nenhuma prova que meincrimine. Meu direito de defesa está sendo cerceado, pois meus advogados nãoestão tendo acesso ao processo, impossibilitando, assim, minha defesa.
Não tenho a intenção de partidarizar essa retaliação, mastenho a obrigação de politizar esse debate. Temos, de forma competente ecomprometida, conscientizado e mobilizado a nossa categoria a nível nacional naluta pela desmilitarização. Questão que tem ganhado força e apoio da sociedadecivil organizada.
Participamos de negociações importantes como mediadores nosconflitos entre a categoria e governos estaduais e assim conquistamos vitóriascomo: a valorização salarial, a reforma nas legislações, o respeito e aascensão social, intelectual e financeira. Em alguns estados conseguimos: adefinição de carga horária, planos de carreira, ingresso com nível superior,aposentadoria aos 25 anos, paridade de direitos e deveres entre oficiais epraças e entre ativos e inativos e ao término de 2012 a média salarial nacionaldo policial militar será maior que R$ 2.000.
Em âmbito nacional participamos de debates e articulaçõesestratégicas como a defesa da desmilitarização na 1º Conferência Nacional deSegurança Pública. Tema, que por sinal, foi o mais votado nos debatesmunicipais e estaduais da conferência. Compomos o Conselho Nacional deSegurança Pública, no qual, já encaminhamos temas como: fim da prisãoadministrativa, financiamento da Segurança Pública, estrutura e condiçõesadequadas de trabalho, matrizes curriculares nacionais e matrizes nacionais delegislação como código de ética e estatuto, dentre outros assuntos. Além departiciparmos e construirmos, junto com a Secretaria de Direitos Humanos doGoverno Federal, da elaboração das Diretrizes Nacionais de Defesa dos DireitosHumanos dos Profissionais de Segurança.
Todo esse histórico, preocupa setores da sociedade quedefendem a arbitrariedade, a imposição e a ditadura, ou seja, o retrocessoantidemocrático de exceção e de cerceamento dos direitos e garantiasconquistadas por muitos que hoje estão no poder.
A minha prisão e a de outros companheiros policiais e bombeirosmilitares tem se demonstrado uma postura de retaliação, insanidade einsensatez. Uma tentativa de esconder uma realidade que assola o país desde1997, época em que se iniciaram as primeiras greves da Polícia Militar pelareivindicação de um Plano de Valorização dos Profissionais de Segurança e a,consequente, modernização e eficácia do serviço de Segurança Pública. Passados15 anos de lutas, mobilizações e greves por todo o país ainda não se temresposta para essa realidade, pelo contrário, os gestores brincam e não encaramos problemas da Segurança Pública. Um exemplo emergente é a “epidemia” do usode crack que se espalha pelo Brasil e que tem atingindo inclusive policiais esuas famílias. Precisamos de respostas. Não aceitaremos e nem nos calaremosmesmo nos calabouços, masmorras e prisões dessa falsa democracia.
Em 2007, fui excluído da Polícia Militar por essa luta edepois reintegrado. Em 2009, tive prisão decretada em Roraima, por participardas negociações naquele estado, e agora cumpro prisão preventiva no BOPE/RN emnome da defesa de nossos direitos, da construção de nossa cidadania, dignidadee valorização profissional. Tenho certeza que minha luta não será em vão e quetodas as perseguições e retaliações, que sofremos por defender nossa categoria,terão resposta no momento certo, pois já sabemos nos impor e nos fazerrespeitar.
Somos homens e mulheres de coragem. Enfrentamos acriminalidade, defendemos o direito e a vida da sociedade e com essa mesmacoragem e determinação aprendemos a defender nossos direitos. Não me arrependode lutar por essa classe sofrida e sem o devido reconhecimento de suadedicação. Enquanto cada um dorme, patrulhamos e, às vezes, arriscamos nossavida para defender a sua. Mesmo sem estrutura e condições de trabalho,superamos as dificuldades para desempenhar nossa missão.
Somos submetidos, pelo poder público, a uma carga horáriaexcessiva, sem direito a hora extra ou a direitos constitucionais deinsalubridade, periculosidade e trabalho noturno. Não temos assistência médicaadequada, nem tratamento pós-traumático, nem acompanhamento psíquico, nemsocial, não temos valorização profissional, nem plano de carreira na vidapolicial e ainda somos submetidos a um regime antidemocrático e ditatorial quenos impõe o silêncio, que nos rouba o direito de liberdade de expressão, daatividade sindical e política.
Lutamos simplesmente para sermos tratados como qualquercidadão brasileiro, mas somos tratados como bandidos e proibidos de reivindicarnossos direitos, com risco de prisão e exclusão, sem um devido processo legalcomo desmanda a constituição. A sociedade tem estado ao nosso lado nessa luta etem demonstrado apoio e afirmado que deseja mudanças no formato de SegurançaPública. Tenho absoluta certeza que a sociedade não vai aceitar o tratamentoque temos recebido e a postura do poder público de tentar criminalizar nossaslutas e de desqualificar nossas lideranças.
Agradeço a minha família que tem superado a ausência eapoiado nossa luta. A minha esposa, que está grávida, que só me faz pensar nodia em que sairei dessa prisão para cuidar dela e de minha filha. Minha luta épara que ela venha ao mundo e se orgulhe de ter um pai que defendeu seusprincípios e ideais e lutou para que tenhamos verdadeiramente uma sociedade democrática,justa e livre.
Agradeço aos meus amigos que demostram diariamentesolidariedade e carinho nesse momento de dor e sofrimento. Agradeço a todos ossindicatos e organizações comunitárias, movimentos sociais e partidos políticosque demostraram apoio e solidariedade. Agradeço a todos os pastores e irmãos emCristo que tem orado e intercedido junto ao Pai por nossa causa. Agradeço aosfuncionários e diretores da ACS PM/RN que tem demostrado coragem edesprendimento em defender essa bandeira da democratização da instituição quetanto amamos. E em especial agradeço a cada policial e bombeiro que acredita naluta e que mesmo com todas as retaliações e dificuldades para garantir asegurança da sociedade tem demostrado sua dedicação e amor à profissão.
Tenham certeza que estarei sempre à frente da luta pordignidade, respeito e democratização e em nenhum momento vacilarei nessadefesa. Não me arrependo de defender essa categoria e o farei quantas vezessejam necessárias. Acredito que os homens e mulheres policiais e bombeiros doRio Grande do Norte estarão firmes na defesa e construção de uma polícia maisjusta e cidadã, que respeite e defenda os direitos humanos da sociedade e deseus trabalhadores. Pois não é crime lutar e sonhar por dias melhores e por umasociedade melhor para todos. É dessa forma que alcançaremos respeito evalorização!", afirmou nacarta.
Fonte: DN Online
2 comentários:
a policia militar deve ter muito orgulho desse cb que luta por seus direitos coisa que muitos nao o fazem. parbens jeoas se deus esta com nao inporta quen esta contra.
onde estao os oficiais dessa pm?
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